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Instalações Prediais: O que a Arquitetura deve prever desde a concepção do projeto

Foto do escritor: Jordan Visentin
Jordan Visentin
há 2 dias
5 min de leitura

Poucas situações geram tanto retrabalho em obra quanto descobrir, já na fase de projetos complementares, que não há onde passar uma prumada, que a casa de máquinas não comporta os equipamentos ou que o reservatório não cabe onde foi desenhado. Esses problemas raramente nascem nos projetos complementares. Eles nascem no projeto arquitetônico, quando as instalações prediais não entram na conta desde o início.

Neste artigo, reunimos os principais espaços e elementos que a arquitetura deve prever para viabilizar as instalações hidrossanitárias, elétricas, de climatização, de combate a incêndio e de transporte vertical, e explicamos por que decidir isso cedo melhora a integração entre as disciplinas.


Projeto arquitetônico com shafts, casa de máquinas e reservatório compatibilizados com as instalações prediais

Por que pensar nas instalações prediais já no estudo preliminar


As instalações não são um acabamento do projeto. Elas ocupam volume, exigem caminhos contínuos de piso a piso, têm requisitos de acesso para manutenção e impõem restrições à estrutura e à fachada. Quando esses requisitos entram tarde, as soluções costumam ser improvisadas: rebaixos que roubam pé-direito, furos em vigas, prumadas desalinhadas entre pavimentos ou equipamentos em locais sem ventilação ou acesso.


Prever os espaços técnicos já no estudo preliminar traz três ganhos práticos:

  • Menos retrabalho: a arquitetura não precisa ser refeita para acomodar o que faltou.

  • Compatibilização mais simples: estrutura, hidráulica, elétrica e climatização partem de um mesmo ponto de referência.

  • Mais previsibilidade de prazo e custo na obra, com menos interferências descobertas em campo.4


Shafts e prumadas: o caminho vertical das instalações

O shaft é o espaço destinado à passagem vertical de tubulações, eletrodutos, dutos e cabos entre os pavimentos. Sem ele, as instalações disputam espaço com paredes, pilares e vigas.


O que a arquitetura deve considerar:

  • Posição alinhada entre pavimentos, de preferência próxima às áreas molhadas, para encurtar ramais.

  • Dimensão compatível com as prumadas de água fria, água quente, esgoto, ventilação, pluvial, gás e incêndio, quando houver.

  • Acesso para inspeção e manutenção por portas ou alçapões, sem depender de quebrar alvenaria.

  • Separação entre instalações que exigem afastamento, como elétrica e hidráulica, e shafts específicos para sistemas com exigência de compartimentação.

Reservatórios e motobombas

O reservatório depende de volume, posição e apoio estrutural, e esses três fatores afetam a arquitetura diretamente. Os reservatórios inferior e superior, assim como a reserva técnica de incêndio quando exigida, precisam de áreas dimensionadas conforme o consumo e a ocupação da edificação.


Pontos de atenção para o projeto arquitetônico:

  • Localização do reservatório superior, com a cobertura ou a torre dimensionada para receber a carga.

  • Reservatório inferior e casa de bombas com acesso, ventilação, drenagem de piso e espaço para manutenção dos conjuntos motobomba.

  • Altura útil e circulação interna para limpeza periódica.

Integração com o paisagismo e a fachada, evitando que o reservatório apareça como um elemento improvisado.

Casas de máquinas e áreas técnicas


Dependendo do porte da edificação, a arquitetura precisa reservar áreas para equipamentos como:


  • Casa de máquinas do elevador, quando o modelo adotado a exige;

  • Subestação, quadros gerais e medição de energia;

  • Gerador e áreas de grupo motogerador;

  • Equipamentos de climatização, como condensadoras, chillers e casas de ar condicionado;

  • Central de gás, quando houver, com os afastamentos e a ventilação exigidos;

  • Sala de bombas de incêndio e pressurização.


Cada uma dessas áreas tem requisitos de acesso, ventilação, afastamento de divisas e de aberturas, além de rotas para entrada e retirada de equipamentos. Prever o caminho de movimentação dos equipamentos, e não apenas o espaço em que eles ficam, evita surpresas na instalação e em futuras substituições.


Poços de elevadores


O poço do elevador é uma das áreas mais rígidas do projeto: suas dimensões internas dependem do modelo, da capacidade e do fabricante, e variam pouco depois de definidas. A arquitetura deve considerar:


  • Dimensões de poço e caixa compatíveis com o equipamento escolhido, incluindo o fosso e a altura de percurso final;

  • Alinhamento em todos os pavimentos, sem desvios;

  • Acessibilidade na cabine e nos pavimentos de parada;

  • Implicações estruturais, já que paredes e lajes do poço fazem parte da estrutura;

  • Interfaces com as instalações, como alimentação elétrica, ventilação e drenagem do fosso.


Definir cedo o fabricante e o modelo, ou ao menos um dimensionamento de referência, reduz o risco de ajustes caros depois que a estrutura já foi executada.

Escadas e saídas de emergência


Escadas e saídas de emergência são elementos de segurança e, ao mesmo tempo, de instalações. Seu dimensionamento depende da ocupação, da altura da edificação e da área de cada pavimento, e segue as normas e regulamentos vigentes, incluindo as exigências do Corpo de Bombeiros do estado.

Do ponto de vista da arquitetura, vale prever:


  • Largura de escadas, corredores e portas conforme a população calculada;

  • Rotas de fuga contínuas, desobstruídas e com distâncias máximas respeitadas;

  • Antecâmaras, dutos de ventilação ou pressurização, quando a edificação exigir;

  • Espaço para hidrantes, extintores, iluminação de emergência e sinalização ao longo das rotas;

  • Compartimentação entre pavimentos e áreas de risco.


Por interagirem com combate a incêndio, elétrica e estrutura ao mesmo tempo, as escadas de emergência são um dos pontos que mais se beneficiam da compatibilização precoce.


Interferências com a estrutura: vigas, lajes e rebaixos


Mesmo com shafts bem posicionados, as instalações ainda precisam cruzar vigas, lajes e paredes. A arquitetura ajuda ao prever:


  • Pé-direito suficiente para entreforros e rebaixos de gesso, considerando a passagem de dutos e tubulações;

  • Regiões de passagem planejadas pela estrutura, evitando furos improvisados em elementos estruturais;

  • Lajes rebaixadas ou desníveis em áreas molhadas, quando necessário;

  • Alinhamento entre estrutura e shafts, para que pilares e vigas não cortem prumadas já definidas.


Cobertura e áreas externas


A cobertura costuma concentrar vários itens de instalações: reservatório, condensadoras, captação de águas pluviais, sistema de proteção contra descargas atmosféricas e, em alguns casos, geração de energia solar. A arquitetura deve prever:


  • Áreas técnicas na cobertura com acesso seguro para manutenção;

  • Caimentos e pontos de drenagem para águas pluviais;

  • Espaço e orientação para sistemas fotovoltaicos, quando previstos;

  • Locais para condensadoras com ventilação adequada e proteção visual


Checklist rápido para a arquitetura


Antes de fechar o projeto, vale conferir se estão previstos:


  1. Shafts alinhados entre pavimentos, com acesso para manutenção;

  2. Áreas para reservatórios, casa de bombas e reserva de incêndio;

  3. Casas de máquinas e áreas técnicas com acesso, ventilação e rota de movimentação de equipamentos;

  4. Poços de elevadores com dimensões compatíveis com o equipamento;

  5. Escadas e saídas de emergência dimensionadas conforme a ocupação;

  6. Pé-direito para forros e rebaixos;

  7. Áreas técnicas na cobertura e nas áreas externas.


Compatibilização entre disciplinas: do papel ao modelo BIM


Prever os espaços é só o primeiro passo. Para garantir que arquitetura, estrutura e instalações funcionem juntas, a compatibilização precisa acontecer de forma contínua. A metodologia BIM permite identificar interferências entre disciplinas ainda no modelo, antes da obra, e reduz o risco de retrabalho.


Quando as instalações prediais são pensadas desde a concepção, e não apenas depois que a arquitetura está pronta, o fluxo de projeto fica mais assertivo e as entregas tendem a cumprir melhor o prazo.


Perguntas frequentes


Quando devo começar a pensar nas instalações prediais em um projeto?Desde o estudo preliminar. Nessa fase, a definição de shafts, áreas técnicas e reservatórios ainda é flexível e custa muito menos do que ajustes posteriores.


O que é um shaft e por que ele é importante? É o espaço vertical destinado à passagem de tubulações, eletrodutos e dutos entre os pavimentos. Ele organiza as prumadas e permite manutenção sem intervir em paredes e acabamentos.


Poço de elevador pode ser alterado depois de definido? Em geral, não sem custo. Como suas dimensões dependem do equipamento e fazem parte da estrutura, alterações tardias costumam exigir ajustes estruturais e de projeto.


Quem deve definir as dimensões das áreas técnicas? O arquiteto prevê os espaços, e os projetistas de cada disciplina (hidrossanitário, elétrico, climatização, incêndio, estrutural) validam as dimensões e requisitos. Esse diálogo entre disciplinas é o que evita conflitos.


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